Jornalismo na Rede

Blog pessoal do jornalista Rodrigo Alves

Segunda-feira, Dezembro 06, 2004

Artista explora as mandalas sem limites

Formas circulares inspiraram a artista plástica Lílian Françoso a realizar a mostra “Sem Limites”

Rodrigo Alves
rasilvad@walla.com

Dos povos primitivos ao homem contemporâneo, os círculos sempre foram utilizados pela humanidade. Aliás, antes disso, são circulares as formas de astros como o sol e a lua e todos os nove planetas existentes. Tais formas são definidas como mandalas e despertaram a criatividade da artista plástica Lílian Françoso, 42, que promove a mostra “Sem Limites”, no Centro Cultural Martha Watts. O material em exposição é resultado de mais de um ano de pesquisa sobre o assunto.

Seja em coisas belas como um botão de rosa, uma concha do mar, na íris dos olhos, ou até em algumas frutas, a mandala está presente em quase todo o universo. É tema, inclusive, de misticismo e religião. “Ela não tem pátria, não nasceu no Brasil e muito menos em Portugal. Até na pintura rupestre ela já era utilizada”, informa a artista piracicabana, que pesquisou o universo das mandalas antes de realizar as pinturas. “A pesquisa é importante porque madurece o artista em nível de conhecimento e de técnica”, justifica.

Lílian explica que o título da mostra “Sem Limites” revela muito do que ela acredita ser a definição do artista plástico. “Eu vou aonde eu quero e sou da opinião que, na profissão, o artista não pode rotular nada. A inovação deve ser almejada sem barreiras”. Ao criar os trabalhos abstratos em exposição, a temática permitiu à artista uma certa facilidade em brincar com as técnicas. Tanto que expõe quadros em acrílico, óleo sobre tela e técnica mista. “É uma arte abstrata, livre, mas que precisa de uma direção”, acrescenta.

O “insight” sobre as mandalas surgiu de uma viagem que fez para uma região montanhosa do país. “Resolvi buscar isso em torno da cultura, logo em seguida veio a questão do movimento circular das mandalas”. Mesmo não possuindo nenhuma formação específica em artes plásticas, Lílian acredita que já nasceu com a “pintura no sangue”.

Desenvolve o trabalho artístico profissionalmente há nove anos. Antes disso, teve aula com Tuco Amalfi e Luísa Libardi. Ao longo da carreira teve suas pinturas reconhecidas em espaços culturais internacionais. Participou, em 2001, de um círculo internacional, expondo obras na França, na Espanha e em Belo Horizonte.

No ano passado, com apoio do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP), abordou a cultura indígena, a qual fez questão de pesquisar todos os detalhes. O resultado foi exposto em fevereiro deste ano, no campus Taquaral da Unimep e, posteriormente, no Clube de Campo de Piracicaba e Escola Augusto Saes.

Quem visitar a sala 1 do Centro Cultural enquanto a mostra estiver em funcionamento, pode se deparar com a artista no espaço. É que ela permanece no local para um intercâmbio de idéias com os visitantes da mostra, sempre às terças, quintas e sextas-feiras, das 16 às 19 horas. Também pretende levar ao local cavalete e tintas, para confeccionar aquarelas e outros tipos de trabalho.

SERVIÇO
Mostra “Sem Limites”, da artista plástica Lílian Françoso, na Sala 1 do Centro Cultural Martha Watts (rua Boa Morte, 1257, centro). A entrada é franca. Visitas de segunda à sexta-feira, das 9 às 12 horas e das 14 às 19 horas; aos sábados, das 9 às 12 horas. Mais informações: 3124-1889.

Publicada em 28 de novembro de 2004, na Tribuna Piracicabana.